Na ausência de especialistas em análise sensorial de frutos secos, metemo-nos a provar amêndoas como se o mundo fosse acabar. Alguns quilos depois, cá estão as nossas avaliações (esperamos não nos meter noutra tão cedo).
Miguel Rodrigues tem 32 anos, é algarvio e formado em Engenharia Aeronáutica pela Universidade da Beira Interior. Quando ia de Faro para a Covilhã, os amigos sabiam que chegaria abastecido com amêndoas que um avô de Castro Marim lhe arranjava, pelo que rapidamente se tornou numa figura popular. “Eles diziam que uma coisa eram as amêndoas que compravam no supermercado, e outras – que não tinham nada a ver –, eram as do meu avô”, refere.
Miguel licenciou-se, fez mestrado e ainda trabalhou num laboratório ligado à indústria aeronáutica, mas nunca deixou de pensar na ideia de abrir uma empresa que vendesse frutos secos de qualidade e subprodutos criados a partir dos mesmos. A aventura começou há dois anos e, depois de muitos testes, a I’m Nat oferece uma série de produtos de qualidade (tabletes, pastas e frutos tostados), sendo que, hoje, interessa-nos a linha Originals, assente em amêndoas algarvias torradas, ora com mel, ora com canela, figos e flor de sal. Ou seja, tudo com produtos do Algarve. Tudo bem feito e controlado, quer no ponto de sal, quer no processo de torra, quer ainda nas embalagens, que se transformam num presente bonito. Nós, que temos a mania das ligações entre produtos, ficamos logo a pensar que as amêndoas com canela calhariam bem um Porto Tawny 20 anos. Para as que têm mel, um Porto Branco, claro.
Como não somos especialistas em prova de frutos secos (e na verdade não encontrámos ninguém habilitado nesta matéria), levámos para o Algarve três variedades de amêndoas criadas no Alentejo (Belona, Vairo e Soleta). Na I’m Nat tínhamos um lote de amêndoa algarvia (com muitas variedades à mistura) e outro lote de amêndoa californiana, dita standard (sem qualquer menção à variedade). A única coisa que sabemos – por experiência – é que produtos criados em sistemas agrícolas de sequeiro tendem a revelar maior intensidade e persistência de sabor. E, no caso de frutos secos de sequeiro, mais gordura e mais doçura.
Assim, na prova primária (antes de qualquer manipulação), as três variedades alentejanas eram muito parecidas. Calibres grandes, uniformes e crocantes quanto baste. Em matéria de sabor, pareceram-nos todas relativamente neutras, talvez com excepção da Belona, que dava indicação de um pouco mais de doçura, mas todas pouco persistentes.
Quanto ao lote californiano, o calibre era claramente mais pequeno do que as variedades alentejanas, mas, em matéria de sabor, revelavam aquelas notas anisadas que associamos à amêndoa, e com uma persistência média.
Já o blend de campo algarvio, foi o que se esperava: miolos de tamanhos e formatos dispersos, mas, uma vez na boca, forneciam maior intensidade de sabor e persistência, com mais percentagem de gordura. O que não admira, porque estamos sempre a provar diferentes variedades em simultâneo. Mas se isto é uma virtude, não deixa de ser […]






















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