
Contudo, não é tempo de entrar em euforias. Ainda temos bem fresca a memória da explosão dos preços em 2008 com a vida dos compradores espanhóis, a queda abrupta que se seguiu e a longa agonia até ao terrível ano que foi 2012. Muitas explorações leiteiras ainda têm contas para pagar e precisam que o preço não baixe durante bastante tempo para normalizar as finanças.
Previsões? Não é possível fazer previsões de longo prazo. As expectativas para o primeiro semestre de 2014 são favoráveis. Enquanto o mercado internacional absorver as exportações europeias, tudo bem; depois, já sabem onde vem parar as sobras… Sabemos que o mercado é cíclico, difícil é prever se ainda vai subir, estabilizar ou descer, e quando.
Com a facturação a aumentar, aumenta a tentação de fazer grandes investimentos: aumentar a vacaria, comprar vacas, tractores maiores… que fazer? Vivemos em liberdade e cada empresário tem autonomia para fazer as suas opções (até certo ponto, pois se for pedir dinheiro ao banco a autonomia é limitada e se abrir falência outros vão sofrer com isso). Apesar de respeitar a liberdade de cada um, deixo aqui, em curtas palavras, algumas sugestões sobre investimento:
1º Pagar as dívidas e investir com ponderação. Um nível baixo de endividamento significa poucos custos fixos, o que será muito útil se/quando o preço do leite voltar a cair por causa do excesso que o fim das quotas vai permitir. Formas de reduzir o valor a investir: Obter co-financiamento em projectos de investimento, comprar material usado, comprar em sociedade, comprar só quando não for possível recorrer a prestação de serviços;
2º Dar prioridade aos investimentos com retorno mais imediato, o que geralmente equivale aos investimentos que estão mais perto do tanque do leite, que o enchem mais depressa e que sejam usados todos os dias: Equipamento de ordenha, Unifeed, camas para as vacas, ventilação e tudo o mais em bem-estar animal e só depois reboques, cisternas, tractores e outras máquinas;
3º Dar prioridade a investimentos que baixem os custos de produção (poupança de energia, produção de forragem, redução de perdas, redução de riscos, melhoria da qualidade.
O fim das quotas não será o fim do mundo. Será um novo desafio que poderemos vencer e ultrapassar tanto melhor quanto melhor nos prepararmos.
Carlos Neves




















Discussão sobre este post