
Adiante. Temos sempre a alegria da colheita, agora mais fácil com as grandes máquinas automotrizes de ensilar que temos ou podemos alugar e nos permitem fazer o serviço melhor, mais rápido e mais simples, certo? Nem sempre. Há coisas que complicam.
O milho é cortado nos campos e transportado em reboques agrícolas para ser armazenado nos silos junto às vacarias. Nos últimos anos, vários agricultores que circulavam na estrada com reboques de milho silagem foram advertidos pela autoridade de trânsito sobre a obrigatoriedade de cobrir cada carga com uma lona ou rede. Acontece que a esmagadora maioria dos reboques agrícolas (99%?) não estão preparados para essa cobertura. Colocar manualmente uma lona após cada enchimento do reboque é perigoso para o tractorista, para os outros veículos (se a lona não ficar bem fixa) e demora mais tempo que o enchimento do reboque. E assim, à boa maneira portuguesa, temos de viver e trabalhar com leis impraticáveis, esperando ter a sorte de não encontrar na estrada agentes da autoridade ou, se os encontrar, que estejam ocupados com coisas mais importantes que complicar a vida dos agricultores. Se a polícia quiser ser escrupulosa pode multar e impedir o transporte da colheita em tempo oportuno. Em alternativa, podemos “brincar” às escondidas com a polícia, procurando outros caminhos. Ora o trabalho agrícola é muito sério. É um trabalho honrado que precisa do apoio da lei e não de complicações legais. Tendo em conta que a silagem de milho não é uma matéria perigosa que possa causar danos nos outros veículos (como a areia, por exemplo), nos últimos dois anos através da APROLEP fiz vários contactos junto do governo no sentido de ser decretada uma excepção da “obrigação de cobertura” para o transporte de forragens entre os terrenos e as explorações agro-pecuárias. Ainda não fomos atendidos, mas temos de insistir. Há alguns anos atrás, também foi conseguida (creio que por iniciativa da CAP) uma excepção para o transporte de trabalhadores agrícolas nos reboques. Portanto, se houver empenho das principais organizações agrícolas e dos ministérios da Agricultura e Administração Interna, podemos ultrapassar esta dificuldade no trabalho dos agricultores. Semear, regar e colher já é difícil quanto baste. Não compliquem!
Carlos Neves












Discussão sobre este post