O desafio partiu de Olga Martins, a CEO da Lavradores de Feitoria e defensora acérrima da valorização dos DOC Douro, que encontrou na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro ouvido acolhedor. A universidade validará os requisitos da nova certificação, que está praticamente concluída e será apresentada na próxima ProWein, a maior feira profissional de vinhos do mundo, de 15 a 17 de Maio.
O Trust and Respect, “selo” pioneiro em Portugal e que as partes julgam ser também único no mundo, permitirá ao consumidor saber se determinado vinho é produzido de forma sustentável, em pelo menos três frentes: económica, social e ambiental. É inspirado no Fair Trade, mas quer ir mais além. A ideia foi apresentada à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro por Olga Martins, CEO da Lavradores de Feitoria e uma das vozes que tem vindo a lutar pela valorização dos vinhos DOC Douro numa região que deve a sua reputação ao vinho do Porto.
“Uvas do Douro, pagas com preço justo ao agricultor, [vinhos produzidos] com boas práticas ambientais. Este é o objectivo. Fácil de enunciar, duríssimo de trabalhar”, começa por explicar ao PÚBLICO o reitor da UTAD, Emídio Gomes. Concretizando, esse objectivo passa por “criar um label de certificação em que os mercados internacionais reconheçam valor económico e de sustentabilidade ambiental e social àquela garrafa”. O reitor da universidade com a ligação mais estreia ao território duriense acrescenta: “Permitirá [aos produtores] vender melhor e mais caros os seus vinhos, com uma remuneração mais justa aos viticultores que estão na origem.”
Anualmente, uma comissão técnica independente calculará o preço a pagar, em princípio, por pipa (550 litros) de DOC Douro, esse valor será validado pela UTAD e pelo CoLAB VINES&WINES, uma iniciativa liderada pela ADVID – Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense, e depois comunicado idealmente até 15 de Agosto a todos os que estejam registados para a certificação de acordo com a Especificação Técnica para a Certificação Sustentável da Produção de Vinho de Mesa DOC Douro.
Para além da questão do preço justo das uvas, reforça Emídio Gomes, o consumidor será forçado a perguntar: “Este vinho é mesmo produzido com uvas do Douro?” Uma questão antiga na região, onde a lei permite produzir 7,5 toneladas por hectare, mas o sector comenta à boca pequena que ninguém produz isso no Douro. Do preço justo pago pelas uvas e da origem […]






















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