
Neste momento vivemos um impasse no desenvolvimento das negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio. Impasse que dura desde a ronda negocial de Doha (2001). Impasse que ninguém arrisca avançar a data de desfecho.
Aos países desenvolvidos é pedido que retirem do mercado mundial todo e qualquer produto, cujo preço baixo seja directa ou indirectamente suportado, para que esse mercado seja aberto aos países em vias de desenvolvimento. Assistimos a uma escalada de preços alarmante quando esses países desenvolvidos canalizam os seus excedentes para mercados alternativos, embora internos, reduzindo as disponibilidades no mercado mundial.
Quão difícil será negociar com o exterior o incremento da transparência comercial se internamente tudo se mostra opaco?
Quão difícil será promover a sustentabilidade na produção e no uso de biocombustíveis na Europa se tudo parece mover-se com lentidão, avaliando preliminarmente e privilegiando quem está no negócio, incrementando barreiras à entrada.
Na Europa, a maior emissora de gás com efeito de estufa (GEE) é a mobilidade (transportes). Esta, num plano integrado de combate às alterações climáticas é a última a ser tratada, a última a ser chamada a contribuir e a adaptar-se.
Promover acções de redução de GEEs limitando-se apenas a definir metas, não resultou. Tornar obrigatória a incorporação de biocombustíveis nos combustíveis comuns poderá não bastar. E poderá não bastar porque nada se fez em concreto para o tornar sustentável.
É necessária a promoção da produção de biocombustíveis, preservando a biodiversidade das regiões produtoras, preservando os recursos naturais, preservando o abastecimento de alimentos, promovendo a multifuncionalidade da agricultura. É necessária a promoção do uso de biocombustíveis diferenciando positivamente a sua utilização sem barreiras.
Aos cidadãos do mundo desenvolvido já lhes é exigido um pagamento fiduciário pelo seu consumo poluente. A mobilidade é consumo e consumo altamente poluente e por conseguinte deverá pagar pelo mal causado.
As taxas ambientais cobradas pela emissão passarão a constituir o fundo que financiará a produção de biocombustíveis de forma sustentável, que efectivamente forneçam a mesma mobilidade com reconhecidos ganhos ambientais.
No entanto todo este esforço pode não ser suficiente. De nada valerá o esforço dos agricultores em produzirem matérias primas destinadas à mobilidade, obedecendo a altos padrões ambientais, se os fornecedores de mobilidade não forem instados a abdicar dos seus pedestais e a acompanhar este esforço.
Gonçalo Aranha
Lic. em Química
ANPROBE – Associação Nacional dos Produtores de Beterraba
Biocombustíveis: A “Batalha” de Gigantes ainda não começou! – Gonçalo Aranha



















Discussão sobre este post