Caça, touradas e bem-estar animal, a agricultura e o mundo rural. Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, responde a um artigo de Pedro Garcias (e o jornalista-agricultor remata com um convite).
Caro colega Pedro Garcias,
Trato-o por colega porque diz ser agricultor. Óptimo, a nossa conversa fica mais facilitada.
Após ter lido o seu artigo do passado dia 22, digo-lhe que estou maioritariamente de acordo consigo. Ambos gostamos do que é bom, produzido em Portugal pelos nossos agricultores, uns maiores e outros mais pequenos, mas, aqui para nós, isso pouco interessa. Aliás, digo-lhe, é essa luta absurda que nos obrigam a travar entre pequenos e grandes que nos mantém agarrados à pequenez. Melhor seria se sonhássemos grande, como fizeram os nossos antepassados que, devido à nossa fraca dimensão territorial, se lançaram ao mar e descobriram mundo. Fomos grandes. Tomara que hoje mantivéssemos esse espírito ganhador.
Vamos ao que interessa. É um facto que a sociedade se polarizou. Os que apelidamos de “urbanos”, mais instruídos que antes, mas mais desligados dos valores do “mundo rural”, tendem a deixar de o compreender. Isso deve-se ao facto de as gerações mais novas estarem a perder a ligação “à terra”. Era comum ouvirmos dizer: “Vamos à terra visitar os primos e os avós. Na volta trazemos couves, tomates e enchidos, uma galinha e fruta.” Hoje são poucos os que mantêm esse hábito. Vão “dar uma volta”, vão ao shopping, passeiam o cão, vão ao café e pouco mais.
Este desligamento das nossas raízes está a criar um afastamento cultural e a abrir uma brecha na sociedade contra a qual nos devemos unir. Mas para isso temos de nos tolerar, conversar e respeitar mutuamente.
Quando vemos um punhado de pessoas (sim, um punhado) com ambição de poder, desenvolverem uma posição intolerante, proibicionista, radical, apoiados numa visão preconceituosa e distorcida, a quererem impor a destruição dos valores em que assenta a vida de parte da população, indo ao ponto de lhes destruir o seu ganha-pão, como os produtores pecuários, é algo que não imaginaríamos possível.
Não é admissível colocar os animais no mesmo patamar civilizacional que os humanos. Eu não me sento à mesa com o meu cão, não durmo com um gato ou um porco e recuso que haja melhor serviços de saúde para os animais do que para os […]














Discussão sobre este post