
Os estudos também mostram que Portugal tem a agricultura mais envelhecida da Europa. Apesar disso, tarda o apoio à instalação de jovens agricultores através do PRODER. Apesar disso, a Segurança Social, tutelada pelo governo, cortou ou reduziu o abono de Família a muitos agricultores. Não tenho números exactos, mas conheço dezenas de casos só em 2 ou 3 gabinetes onde se faz contabilidade agrícola. Pela amostra, devem ser milhares no país, a somar a outros tantos trabalhadores independentes de outras profissões. A justificação avançada foi que o rendimento teria ultrapassado o escalão máximo com direito a ajudas. Porque os recursos do país são escassos, o governo diz que não tenciona dar o abono aos 10% da população com rendimentos mais elevados. É discutível, mas compreende-se. Aceito. No entanto, a Segurança Social, com base no artigo 9º do decreto-lei 176/2003, de 2 de Agosto, considera como rendimento de referência do agregado familiar o”rendimento ilíquido”, ou seja, todas as vendas e outras receitas do contribuinte, no caso, do agricultor. Não aceito. É absurdo. Então e as despesas? Para eles, não contam.
Até 2007, a segurança social aceitava o rendimento apurado no IRS: 20% das vendas, no regime de contabilidade simplificada, ou então a diferença entre as receitas e as despesas, no regime de contabilidade organizada. Agora faz o cruzamento de dados com o ministério das finanças e vai buscar as receitas, apenas. Ponto final. As pessoas reclamam, respondem aos ofícios, mas não adianta. É assim que está na lei. Não sei se é excesso de zelo ou culpa da lei. Sei que é uma injustiça e uma discrepância entre os ministérios das finanças e da segurança social.
Pela mesma bitola (do rendimento ilíquido) tem sido recusada a redução de contribuições para a segurança social a pessoas que mal ganham para comer. Por isso uns optam por emigrar, outros deixaram de pagar as contribuições (ou paga só um dos cônjuges). Assim fica em risco o sistema e a reforma que teriam direito a receber no futuro. O governo do rendimento mínimo e do apoio à natalidade dá com uma mão e tira com a outra.
Apesar dos alertas que fizemos, primeiro à DRAEM, quando ainda existia, depois ao Governo, à Assembleia da República, à Presidência da República, o assunto demora em resolver-se, e enquanto não se resolve poupa-se dinheiro para o défice. Ajudava se o governo reconhecesse que há aqui um problema, mas o Ministro da Segurança Social não percebe ou não quer perceber, apesar dos nossos comunicados e das questões colocadas por vários deputados da oposição, de que temos conhecimento. Parece que o governo só percebe e resolve alguma coisa quando milhares de pessoas vão para a rua…
Carlos Neves
Jovem Agricultor



















Discussão sobre este post