
Portugal está dependente da importação de cereais em cerca de 70%. Assim, perante a produção mundial de cereais a contrair cerca 2% em 2011 (está prevista uma contracção dos stocks de 35% para a cevada, 12% para o milho e 10% para o trigo, devendo apenas o arroz subir 6%) a subida dos preços dos cereais, usados na alimentação, encarece também a produção nacional, para além da internacional. Os efeitos desta conjuntura já se sentiram, com os custos da produção a aumentar cerca de 30% em 2010 e a reflectirem-se também no preço do pão. Apesar das exportações terem crescido mais de 100 por cento nesse período, as importações também subiram mais de 50 por cento e continuam a representar quase o dobro dos produtos que exportamos.
Assim, apesar de todos aqueles que defendem que a “salvação” do país passa exclusivamente pelo aumento das exportações, parece evidente que há importações que poderiam ser evitadas com a produção nacional. Será pois importante reactivar o nosso tecido produtivo até pelos efeitos positivos a nível de criação de emprego e de redução da dependência externa, que é fundamental para o país poder controlar e reduzir a dívida externa cujo elevado valor e crescimento será o problema mais grave que Portugal enfrenta…
A agricultura, nomeadamente no que respeita também à produção de cereais, é uma actividade através da qual é possível aumentar a produção nacional e contribuir para um maior grau de auto-suficiência alimentar, diminuindo o nosso défice com o exterior nesta área, o que na actual conjuntura económica só por si já se revela muito importante.
Entretanto, a agricultura não é uma actividade através da qual apenas se obtêm alimentos. A actividade agrícola, feita de forma sustentada agronómica, ambiental e economicamente, pode também ser importante ao nível da ocupação e ordenamento do território e é fundamental para os outros sectores económicos sobretudo ao nível das economias rurais nas quais, a agricultura dinamiza indústrias e serviços, a montante e a jusante da actividade. Em zonas nas quais a taxa de desemprego e os riscos de desertificação são elevados, a agricultura será portanto uma actividade a apoiar, fundamental para a ocupação do território e para a retenção da população, reanimando o Mundo Rural e criando também condições para a existência de uma maior coesão territorial.
Ricardo Freixial
Professor na Universidade Évora e Agricultor



















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